16 mar

Por Thaís Ferreira

A Vogue foi fundada há 125 anos nos Estados Unidos.  De lá para cá, a publicação ganhou o mundo: são 21 edições espalhadas por quatro continentes. No Brasil, a revista começou a ser produzida em 1975 pela editora Três, posteriormente pela Carta Editorial e, mais tarde, pela joint venture Globo Condé Nast. A trajetória da Vogue nesses 42 anos é marcada por alguns percalços e muitos êxitos. Conheça alguns fatos pouco conhecidos sobre a “bíblia da moda” brasileira.

 

 

Amizade de sucesso
A revista chegou a terras tupiniquins graças à amizade entre duas famílias ítalo-brasileiras: os Carta e os Crespi. Luis Carta, um dos fundadores da revista Claudia, tinha o sonho de lançar uma publicação voltada para mulheres sofisticadas, aos moldes da Vogue. No entanto, os Newhouse, família americana que detinha os direitos da revista, não tinha a intenção de licenciar a marca. Mas nada que uma boa amizade não resolva. Rudi Crespi, amigo de infância de Luis e personagem conhecido no jet set mundial, fez a aproximação entre os dois lados e intermediou a favor do ítalo-brasileiro. Após longas negociações, Luis conseguiu trazer o título para o Brasil. Além de ter papel fundamental no acordo, Rudi foi colunista da revista por anos. Ele escrevia sobre as festas da alta sociedade no Brasil e no mundo.

Fim da festa
A Vogue Brasil é conhecida por seu famoso baile anual que reúne celebridades e modelos. A ideia de criar essas festas foi de Andrea Carta, filho de Luis que assumiu a Carta Editorial em 1986. Os eventos celebravam dois pontos fundamentais da revista: moda e estilo de vida. “O baile à fantasia começou a ser muito disputado”, lembra Inácio de Loyola Brandão, diretor de redação da revista por 17 anos. “Quando a data do evento se aproximava, os telefones não paravam de tocar. Todos queriam um convite. ”Loyola recorda que as pessoas mentiam para conseguir entrar no evento. Muitos charlatões diziam que eram representes de autoridades estrangeiras e exigiam um convite. Numa das primeiras edições do evento, o número de convidados e intrusos não foi bem calculado. As comidas e bebidas acabaram rapidamente. O baile acabou antes do planejado.

Vogue fora do padrão
Durante o comando de Andrea Carta e Ignácio Loyola, a Vogue brasileira ganhou um conteúdo diversificado. Além de moda, beleza e estilo de vida, outros temas começaram a ganhar destaque dentro da publicação, entre eles política, economia e questões sociais. No final da década 1980, é possível encontrar edições que trazem matérias sobre o movimento dos sem-terra, a situação das penitenciárias femininas, o surto de AIDS e as discussões sobre aborto. Os executivos da Condé Nast, que analisavam cada uma das edições, não gostavam das mudanças nas pautas. Os diretores da revista brasileira eram constantemente alertados de que as edições estavam fora do padrão internacional.

Uma mulher no comando
Em 2005, Daniela Falcão assumiu o cargo de diretora de redação da Vogue, no lugar de Ignácio de Loyola Brandão. O jornalista e escritor, com 69 anos na época, queria se dedicar a literatura e diminuir o ritmo de trabalho. Mas a mudança também foi uma exigência da Condé Nast. Era uma nova regra para todas as redações da Vogue:  as mulheres deveriam estar no comando da revista. Essa preferência já era comum nas edições americana e inglesa, que constantemente tiveram mulheres na chefia. A Vogue Brasil não seguiu o mesmo caminho. Apesar da grande influência da editora de moda Regina Guerreiro e de outras grandes mulheres na publicação, a revista foi chefiada por Luis, Andrea e Ignácio durante a maior parte de sua história. Era preciso trazer um olhar feminino para uma revista destinada para esse público. Apesar de não ter uma longa experiência em revistas de moda, Daniela foi uma escolha certeira. Tinha uma carreira de sucesso em diversas publicações e foi eleita como a melhor editora de revistas em 2004.

Vogue Temática
Durante mais de 20 anos, a revista teve edições temáticas, conhecidas como “Vogue Autor”.  A edição de fevereiro de 1980, por exemplo, foi toda dedicada ao escritor Jorge Amado. Um ano mais tarde foi a vez de homenagear a atriz Tônia Carreiro. Já em fevereiro de 1986, Fernanda Montenegro foi a protagonista. Além de serem entrevistados, os homenageados também contribuíam com a publicação, sugerindo pautas e participando dos editoriais de moda. Não eram apenas pessoas que recebiam edições especiais, cidades ou temas da realidade brasileira também eram glorificados nas páginas da Vogue. Uma das publicações temáticas mais marcantes foi a de março de 1998, que trazia todo o conteúdo dedicado às novelas.

 

 

veja também os posts relacionados

Comente via Facebook

Deixe seu comentário

Instagram
Leitura de moda